terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

«O Homem de giz» de C. J. Tudor - Opinião


Não será a giz que se fará esta história. Ou seja, ela não será facilmente apagada. Nem será apenas uma brincadeira da criançada que quer arranjar um código, só deles, para marcar encontros no meio da floresta. No verão de 86 passamos as férias com Eddie Munster, Gav Gordo, Hoppo, Metal Mickey e Nicky, a única miúda aceite neste grupo de rapazes, por ela própria ser tão badass quanto eles. Ou assim se julgam. A trama é essencialmente centrada em Eddie, mas todos têm um papel bastante relevante para os trinta anos que os separam. 

De suposição em suposição, vamos oscilando entre o tempo presente e aquele verão de 86.

"As ervilhas ajudaram a desinchar um pouco o olho de Nicky, mas quando foi para casa a nódoa negra continuava bem visível. 
(...)
- O que quer dizer com isso?
- Não é a primeira vez que a sua filha tem um olho negro, pois não?
- Isso é uma calúnia, senhor Adams.
- Ai é? - O meu pai deu uma passo em frente, Fiquei contente por ver o reverendo Martin estremecer. - «Porque não há coisa oculta que não venha a manifestar-se, nem escondida que não se saiba e venha à luz.»"

Entre palavras bíblicas, calúnias, enredos e julgamentos mal fundamentados somos levados a adivinhações precipitadas que não nos ajudarão a desvendar o autor do crime. O corpo mutilado e abandonado na floresta perseguirá, tanto o grupo de crianças e as suas famílias, como ao leitor. 

Como a narrativa alterna entre o passado e o presente, somos muitas vez arrastados para dentro de diálogos juvenis e ilações típicas daquela idade, se isso pode cansar o leitor, por se viver actualmente alguma propensão para histórias que envolvam grupos de jovens, existem também parágrafos  descritivos, porém breves, que dão outra camada ao texto, permitindo ao leitor, rir, reflectir, emocionar-se e claro, baralhar-se. Isto porque a vida de cada um daqueles cinco tem particularidades associadas, algumas delas, a temas sensíveis e até à doença e isso dá outra dimensão aos acontecimentos mais negros. 

"Durante algum tempo, era frequente ver grupos de desconhecidos na cidade. Vestiam anoraques, calçavam sapatos práticos e traziam máquinas fotográficas e blocos de apontamentos. Faziam fila para entrar na igreja e deambulavam pelo bosque.
Paspalhões curiosos, como o meu pai lhes chamava.
Tive de lhe perguntar o que aquilo queria dizer.
- São pessoas que gostam de olhar para coisas terríveis ou de visitar o lugar onde uma coisa horrível aconteceu. Também conhecidos por perdigueiros mórbidos."

Mesmo sem esses perdigueiros mórbidos, as coisas terríveis continuarão a acontecer e não serão só uma coisa do passado. Há uma aura de inocência e uma pitada de doença à mistura que dão um toque diferente a este thriller e talvez seja isso que o distingue dos outros. O melhor de tudo, para mim, é mesmo o efeito suspenso 1986-2016!






segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Balanço 2017 :: Leituras e estantes novas

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Não é uma foto lá de casa, mas podia ser. Não tenho estantes a ladear janelas, mas podia ter. Optei por uma estante do chão até ao tecto e logo no início do ano. Não para alojar os volumes de 2018, mas antes reestruturar a biblioteca pessoal. Noutro espaço, já mais a terminar o ano, inspirei-me numa pseudo-árvore e fiz crescer uns ramos, parede afora, reciclei e inventei. Escolhi esta imagem por ter ali num canto uma máquina de costura antiga, tal como eu herdei uma, e que é a peça central de onde partem os ramos recheados de livros. Esses sim, vieram para alojar 2017. Ou seja, entro em 2018, novamente, a servir-me da secretária para abrigar os novos amigos. Um caos!!! ;)

*

Em 2017 li o bonito número redondo de 70 livros!

59 deles podem encontrar aqui, com opinião no Efeito dos Livros
Outros 10, encontram-se opinados no Deus me Livro, aqui
Há 1 perdido, por terminar de ler e ter direito a um texto, a saber: «A Guerra de Samuel», o livro póstumo de Paulo Varela Gomes, não por não ser bom, mas por ser tão diferente de «O Hotel», um dos meus livros de eleição de 2016 e que podem ler sobre ele aqui.

*

O post deste ano será diferente dos anteriores. Resumir e destacar é o importante. Por isso agreguei as leituras em três categorias e destaquei alguns autores. 

**

TOP 2017 

Sem ordem de preferência, pois são todos para ler e pedir mais. E são escolhas pautadas pela solidão, aquelas que fazem a minha lista de favoritos.

«O Pianista de hotel» de Rodrigo Guedes de Carvalho 

«A bofetada» de Christos Tsiolkas, seguindo as traduções da Tânia Ganho.

«Onze Tipos de Solidão», Contos de Richard Yates - vou querer tudo do Yates.

«YORO» de Marina Perezagua , uma excelente aposta da Elsinore

«Fora do Mundo» de Michael Finkel 

«O leitor do comboio» de Jean-Paul Didierlaurent :: Opinião 

«A Educação de Eleanor» de Gail Honeyman :: Opinião

«Uma conspiração de estúpidos» de John Kennedy Toole :: Opinião 

De Isabela Figueiredo, duas leituras
«A Gorda» texto de opinião na Roda dos Livros
&
«Caderno de MEMÓRIAS COLONIAIS» - Opinião

“Meio Sol Amarelo” | Chimamanda Ngozi Adiche 
no Deus me Livro, leia opinião aqui

«as coisas que perdemos no fogo» de Mariana Enriquez :: Contos


 ***

Os repetentes

Não podia deixar de salientar em primeiro lugar um dos meus escritores portugueses favoritos, João Tordo. Em 2017 foi ano de terminar a trilogia dos lugares sem nome, dando destaque ao «O Deslumbre de Cecília Fluss». E como esse não me chegou, requisitei um outro, creio que o seu primeiro livro, «O livro dos homens sem luz».

Também a repetir e porque ficamos sem palavras quando se lê «Impunidade», foi preciso comprar e ler, assim que saiu, «As pessoas do drama» de H. G. Cancela. Mas não há amor como o primeiro.

Voltei também a José Eduardo Agualusa, com o «A teoria geral do esquecimento». Sonhar sonhar e saborear uma África que só ele ou o Mia sabem descrever. 

Para me redimir, voltei a Siri Hustvedt e gostei muito mais deste «Verão sem homens» do que do, um tanto pedante, «Mundo Ardente».

Repeti ainda, M. J. Arlidge, um prazer - sem culpa - para alimentar o meu lado mais negro.


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As estreias

Entre vários nomes que tenho abordado num curso de escrita que estou a fazer e que leio excertos e contos, há alguns autores que estão sempre em falta. E quanto mais se pesquisa, mais faltas temos. Tentando colmatar tais falhas li: O mais recente Man Booker Prize, George Saunders; o aclamado, Ian McEwan, de quem li «Sábado», por recomendação do João Tordo e que muito agradou; o eterno Calvino com as suas «Cidades Invisíveis»; o acarinhado A. P. Reverte que quem a Roda dos Livros é muito fã, mas que não me atraiu; a premiada Leila Slimani com «Canção Doce», nada doce por sinal; a estreante Sarah Perry que viu o seu livro premiado na Waterstones e marcou o lançamento da chancela Minotauro (Grupo Almedina) e ainda a estreia de Helen Oyeyemi em Portugal/Elsinore. Nos portugueses, conheci os romances de João Reis e Carla Pais, dos quais irei querer ler mais. 

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Opinião "Perdida em mim"

Sara, Sara, Sara....em que caminhos sinuosos te meteste ao começares a preencher os espaços vazios deixados por Rebeca? Nem fazes ideia de quem é quem, nem mesmo tu.
Porque algo me diz que isto, antes de acabar bem, ainda vai correr muito mal?! 


Desde que deixámos Sara em "Escondida em ti", naquele momento de puro terror (e alguma claustrofobia), que esperamos saber como tudo vai correr para Sara e se a sua jornada sempre a leva à verdade sobre o desaparecimento de Rebecca e a estranha ausência da sua amiga Elle.

Sara tem muito com se preocupar enquanto tenta dar o seu melhor no seu emprego de sonho. Dividida entre descobrir a verdade, manter os limites com o seu chef e derrubar barreiras com Chris, Sara passa por uma roda viva de emoções e acontecimentos neste "Perdida em mim" que finalmente nos dá muitas respostas, excepto aquelas que podem decidir o futuro de Sara ao lado de Chris. 
Com que demônios terão de lutar para que fiquem finalmente rendidos um ao outro? 
Que segredos os esperam do outro lado do Atlântico? 
Que parte de Chris ainda falta conhecer?

 Os segredos de Sara que descobrimos neste livro permitem-nos, ao contrário do que acontece no primeiro, estabelecermos uma maior ligação com ela, mesmo que não concordemos com ela ou tenhamos vontade de gritar "não vas por aí" como se faz num filme de terror quando aquela personagem ouve um barulho e desce as escada para a cave. Vamos lá ver de Sara não se elimina por completo para aceitar ser um Nós com Chris. 

À semelhança de "Escondida em ti" (opinião aqui), também fiz uma leitura sprint a este segundo livro da série que eu pensava ser apenas uma trilogia. 
Sentimos uma certa necessidade de correr para a próxima cena, embora goste de levar o meu tempo a saborear as cenas retiradas dos diários de Rebecca.

 Próxima leitura, feita de seguida, "Rendida a nós" o terceiro e último livro da Serie de Lisa Renée Jones, uma aposta

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Opinião "O mapa que me leva até ti"

Perdi a conta ao número de vezes que me sentei com o intuito de escrever sobre este livro. Já o li em Janeiro e continuo a ter dificuldade em falar sobre ele.
É engraçado como é complicado falar dos livros de que gostamos muito. 
"O mapa que me leva até ti" tem duas características que me prenderam logo com a sinopse: uma viagem e um amor inesperado que nos deixa viradas do avesso.


Ainda antes de ter terminado o livro dei comigo a olhar para as pouco mais de 50 páginas que faltavam e a escrever algo deste género:
"Há livros que passam como uma brisa pela alma do leitor. Pouco incomodam, não levam mais que um breve olhar e rapidamente são esquecidos.
Depois há aqueles são uma rajada de vento. Chegam rápidos e velozes, abanam tudo à sua passagem mas rapidamente seguimos o nosso caminho resguardados e alerta para uma próxima vez.
Mas por vezes, há livros que são ciclones. Ventos loucos que arrancam raízes, derrubam barreiras e levantam casas das fundações e que sem aviso arremessam a alma do leitor para uma turbulência tal que após a sua passagem só lhe resta cair de joelhos e apanhar os pedaços do que ficou.

"O mapa que me leva até ti" ainda não terminou e as minha raízes estão expostas ao vento, as minhas barreiras oscilam e só eu sei quanto pedaços de alma vou ter de apanhar quando chegar ao final. 
Como se escreve sobre um livro que nos faz isto? "

Sim, como se fala sobre um livro que me dá vontade de me meter num avião e ir viajar?
Como se fala de um livro que nos faz sorrir em igual medida que nos deixa com uma lágrima no canto do olho?
Como se fala de um livro que nos dá vontade de saltar para imprevisibilidade de uma nova paixão repleta de altos e baixos?

Eu prometo...vou tentar ser objectiva e não me perder como já fiz nas primeiras 30 linhas desta opinião.

Comecemos por falar de Heather. Em viagem pela Europa, a aproveitar aquelas derradeiras férias antes de entrar na vida adulta, Heather guia a sua vida e a viagem com as suas duas amigas a régua e esquadro. Conhece todas as curvas do seu tour, revê cada detalhe ao minuto e pouca coisa sai do seu controlo.
Já Jack, aquele moreno com um ar super descontraído e viajado, leva a sua viagem ao sabor do vento, da vontade e de um objectivo pessoal que é talvez um dos primeiros passos para que Heather fique rendida ao seu discurso e ao mistério de alguém de quem durante bastante tempo nem sabe o nome todo.
Quando as suas rotas entram em colisão é certo que tudo vai descarrilar rumo a um destino bem diferente do planeado. Noites de álcool e jazz, viagens de barco pela madrugada a dentro, assaltos a jardins e um sem número de momentos carpe diem são um dos pontos que fazem a história de Heather e Jack algo especial.
Isso e toda a força com que somos sugados pela sua viagem, pelas suas discussões, pelo processo de se conhecerem um ao outro e a si próprios.
Contar mais é tirar magia a descobrir esta jornada por vocês mesmos. 

"O mapa que me leva até ti" merece ser lido de espírito aberto, de mochila às costas e com um sorriso nos lábios para o desconhecido enquanto passeamos por um local que tanto nos dá mas que também nos rouba um pedaço da alma com a nossa passagem.
Se estão a precisar de viajar em sair do lugar, leiam "O Mapa que me leva até ti".
Se vos apetece conhecer um amor meio ingénuo, sonhador e capaz de inspirar uma infinita banda sonora, LEIAM "O mapa que me leva até ti".


Acima de tudo, o que mais gostei no livro foi a escrita. ADOREI as palavras de Joseph Monninger. Por vezes leio romances que me dizem pouco. Em que chego ao fim e posso dizer "nem uma página marcada", em que me pergunto "como é possível não ter nem uma frase sublinhada?".
Com "O mapa que me leva até ti" tenho dificuldade em escolher uma frase. Tenho parágrafos, tenho cenas inteiras marcadas.
Como eu disse logo de início, desculpem se começar a divagar.

Nota: este livro é new adult. Gosto de salientar isto porque nem toda a gente está disponível para ler um amor novo, com personagens que têm características do início dos 20's. "O mapa que me leva até ti" não é um amor mais adulto e maduro mas é um bom passo. Imaginem o primeiro filme de trilogia "Antes do amanhecer". Lembram-se desse filme? Este livro seria o equivalente ao primeiro capítulo. E agora fiquei cheia de vontade de rever o filme :) 
E parece uma óptima sugestão para hoje à noite...afinal é dia dos namorados :) 

"O mapa que me leva até ti" é uma aposta
Este livro é uma óptima sugestão de leitura para o Desafio deste ano sob a categoria "Livro sobre viagens ou com uma viagem"

Opinião "Mais Negro"


Bem vindos de volta Christian e Ana.
O filão Grey continua a produzir lingotes de Ouro e este livro não é excepção.
"Mais Negro" é uma visão do outro lado do espelho nestas Cinquenta Sombras Mais Negras, o segundo capítulo da trilogia com a história de Christian e Ana. 
Quem leu a minha opinião ao primeiro livro no ponto de vista do Christian sabe que eu gostei muito mais ler os pensamentos dele que os dela.
Neste livro essa preferência mantém mas há cenas que acabam muito cortadas e que estando a ler ao fim de tanto tempo, não me deixam ter uma imagem mais presente de todos os acontecimentos.

Já a viagem pela mente do Grey sofre com uma grande dose de amaciador, uma consequência directa de estar apaixonado. Menos cru mais romântico, mesmo com as doses olímpicas de sexo em qualquer lado. É engraçado ver cenas que me irritaram no ponto de vista dela e que no dele até se tornam interessantes. São aquele momentos em falta, que só ele viu e viveu que queríamos encontrar aqui e nisso "Mais Negro", à semelhança do anterior, não desilude. 
A cena de Leila, o acidente, etc
No entanto contínuo a achar que há cenas que estão muito diluídas.
Com isto pergunto-me....haverá ainda um terceiro?
E depois disso..será que a autora conseguirá escrever mais algum livro que nada tenha a ver com o Grey?

Entretanto vou aproveitar a semana do dia dos namorados para me levar ao cinema a ver o terceiro filme.
Até lá, deixo ficar o trailer.
Laters, baby!
(continuo a preferir ler o Grey em inglês, soa melhor!)


A série Grey é uma aposta

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Opinião "Já te disse que te amo?"

Há verões que mudam a nossa vida para sempre.
Para Eden, a mudança começou no dia em que meteu os pés na Califórnia.


Habituada a viver em Portland com a mãe, Eden suspeita do convite para ir passar o verão à Califórnia com o pai e a sua nova família. Se nos últimos anos o pai não lhe ligou nenhuma, o que mudou agora? Será que quer compensar o tempo perdido? Ou pensa aproveitar a visita de Eden para que ela seja babysitter dos filhos da sua nova mulher?
Uma coisa é verdade, Eden pode adorar a sua cidade natal mas quer alguma distância de tudo e afinal, a Califórnia tem fama de ser espectacular.
Na realidade, o que é que tem a perder?
Munida de uma lista de sítios a visitar e com umas quantas semanas de férias pela frente, Eden vê as coisas complicarem-se desde o primeiro momento. A ligação com o pai é inexistente, a nova mulher do pai parece demasiado simpática para ser real e afinal os três filhos não são miúdos pequenos mas sim adolescentes. Pior, o mais velho parece ser detestável e isso, aliado ao facto de não conhecer ninguém só torna as coisas mais chatas para Eden.
Mesmo quando é emparelhada com a vizinha da frente e arrastada para coisas que não são bem a sua praia, Eden começa a duvidar da sua decisão.
O que que a California tem para lhe dar? 
Em que mundo entra Eden ao se juntar ao grupo que acompanha o "meio-irmão" Tyler?
E estando ele numa espiral de autodestruição, o que pode Eden fazer para se impedir de ir abaixo com ele?
Eden embarca em meia dúzia de semanas que transformam a sua vida, o seu coração e a sua cabeça.
Quem disse que não se escolhe quem se ama, estava certo.

Curiosamente fluído e interessante, "Já te disse que te amo?" (Frase nunca dita no livro) consegue apresentar-nos uma história YA com romance, amizade, enganos, pressão dos amigos, dramas familiares, álcool, drogas, sexo e um sem número de coisas comuns à adolescência em Los Angeles, em Lisboa ou noutra qualquer cidade. Mudam os intervenientes, os ambientes e uma ou outra característica mas qualquer um de nós consegue encontrar aquele ponto de referência que toca na nossa vida (ou aquela que tínhamos aos 16 anos).

Ao contrário de After, com o qual este livro é comparado, pelo menos não tive vontade de matar o personagem masculino mas continuamos a perpetuar a ideia do "gajo badboy inconsequente rude e impossível de resistir". Até quando? Porque continuamos a passar a ideia, a miúdas e graúdas, que temos de salvar o príncipe da destruição? 
Pior...quando é que me vou deixar de ler história para pessoal com metade da minha idade? :P hahaha pois é !

Curiosamente só acho que o livro pecou por um ou dois detalhes na história mas tenho de dar valor à Estelle que escreveu este livro estando ela própria na adolescência.
Ah e a tradução das expressões. Algumas têm lógica ficarem originais mas depois não traduzir certas expressões é simplesmente tolo. Talvez sejam pequenos detalhes que incomodam esta leitora com o dobro da idade das personagens :P

Que venha o próximo porque "Já te disse que te amo?" deixou-me curiosa para saber como é que se vai descalçar a bota de gostar de alguém que só podemos apresentar como meio-irmão.

E curiosamente quando comecei a ler este livro a minha mente viajou até aos tempos em que via THE O.C e automaticamente comecei a cantar "Californiaaaaaa here we comeeeee"

"Já te disse que te amo?" é uma novidade
Para mais informações visitem o site Editorial Presença

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Novidade Elsinore :: "Homem-Tigre" de Eka Kurniawan

«Pertinente, astuto e magnético, Homem-Tigre é a prova de que tudo aquilo que Eka Kurniawan escreve vale bem a pena ser lido.» — The New York Times


Poético e irreverente, arrojado e político.

«Agora o major estremecia, imaginando o modo como o rapaz tinha abraçado Anwar Sadat, enquanto as suas mandíbulas lhe mordiam o pescoço.»

Pouco tempo depois de o cadáver de Anwar Sadat, um artista lascivo e preguiçoso, ser descoberto, Margio é detido pela polícia, havendo poucas dúvidas de que é ele o assassino. No entanto, o que terá levado o jovem e dócil Margio a afundar os dentes na garganta de um homem e perpetrar um crime tão hediondo permanece um mistério para todos os habitantes da pequena povoação.

A verdade é que, no momento do ataque, Margio não estava em controlo das suas ações; nesse momento, um tigre fêmea branco tinha tomado posse do seu corpo. Poético e irreverente, arrojado e político, Homem-Tigre é o retrato de duas famílias  tormentadas, ligadas entre si por um casamento trágico e brutal, e de uma Indonésia rural e pobre a braços com um passado recente de abusos e violência, sedenta por justiça, onde o folclore e o mundo real colidem.

Uma novidade com data de lançamento para 19 de Fevereiro

Opinião "O Silêncio das Filhas"

Pela premissa deste livro sabia que a leitura não seria fácil. Uma história com crianças nunca o é mas é ainda pior quando as miúdas em "O Silêncio das Filhas" vivem uma vida moldada por homens e rapidamente se tornam mulheres que cumprem um propósito ou morrem.


"Riso por um rapaz, lágrimas por uma rapariga".
A reacção aos primeiros momentos de vida de uma criança diz bastante sobre o ambiente que a rodeia, especialmente quando quem a trouxe ao mundo e as restantes mulheres à sua volta lamentam a sua condição.
Mas antes de abordamos o cerne da questão é preciso colocar as coisas em perspectiva.

A ilha é um santuário para um punhado de famílias, uma sociedade restrita que conseguiu isolar-se ali porque para além daquele local, lá para nas terras devastadas, só resta fogo, destruição e morte.
Num sistema patriarcal regido pelas regras dos antepassados, os Andarilhos (responsáveis) que vieram para aquela ilha ergueram aquela comunidade onde as mulheres são criadas para imitarem as mães, agradarem os pais e crescerem para serem esposas e procriadoras.
Cada pessoa tem uma função e assim que a passa à geração seguinte, deixa de ser preciso, quer seja homem ou mulher.
Por isso, enquanto tentamos compreender o que os levou ali, o que significa o verão de fruição ou em que consiste este sistema de interajuda e estreitos laços familiares, somos confrontados com o descascar da cebola. Cada nova camada colocada a descoberto é mais uma picada nos sentidos, mais uma lágrima que se quer escapar em reacção ao ácido que nos corroí com a leitura, com a descoberta e com o horror de certos cenários que ficam subentendidos nas histórias de Janey, Amanda, Caitlin ou Vanessa, já que esta história é-nos sempre contada pelo ponto de vista das miúdas que estão dos dois lados da barricada que divide a condição de criança da de mulher.
A pergunta que se coloca é sempre...será este o último verão?
Será que não existe mais nada além do que nos disseram ser a verdade?
Até quando o silêncio se irá manter e qual o preço a pagar para quem o quebrar?

Confesso que esta leitura me deprimiu um pouco mas por vezes é bom ler algo de mexe connosco a um nível mais profundo, que nos faz parar para pensar, que nos faz querer sair para o mundo e combater as atrocidades que nos rodeiam.

"O Silêncio das Filhas" é uma novidade

Novidade Editorial Presença :: "CARAVAL"

Caraval. Lembra-te, é apenas um jogo…


Scarlett Dragna nunca saiu da pequena ilha onde ela e a irmã, Tella, vivem sob a vigilância do seu poderoso e cruel pai. Scarlett sempre teve o desejo de assistir aos jogos anuais de Caraval. Caraval é magia, mistério, aventura. E, tanto para Scarlett como para Tella, representa uma forma de fugirem de casa do pai. Quando surge o convite para assistir aos jogos, parece que o desejo de Scarlett se torna realidade. No entanto, assim que chegam a Caraval, nada acontece como esperavam. Legend, o Mestre de Caraval, sequestra Tella, e Scarlett vê-se obrigada a entrar num perigoso jogo de amor, sonhos, meias-verdades e magia, em que nada é o que parece. Realidade ou não, ela dispõe apenas de cinco noites para decifrar todas as pistas que conduzem até à irmã, ou Tella desaparecerá para sempre...

Uma novidade

Para mais informações visitem o site Editorial Presença

Mais novidades Topseller para Fevereiro

Tudo o que eles querem é evitar um escândalo.

Numa noite de outono, Charlotte Highwood encontra-se na biblioteca da família Parkhurst com Piers Brandon, o Marquês de Granville, quando ambos presenciam um tórrido encontro. Está escuro e nenhum deles é capaz de identificar os amantes. Mas mais alguém na mansão testemunha o acontecimento, e começam a correr rumores de que foi Charlotte, que tem fama de se envolver em escândalos, uma das figuras implicadas.

Um plano parece ser a solução.

Para que Charlotte não seja  associada a um novo escândalo, nem Piers forçado a revelar o verdadeiro motivo por que se encontrava na biblioteca, ele decide confessar que estava a fazer-lhe uma proposta de casamento. Charlotte considera tudo um absurdo e resolve-se a descobrir a identidade dos verdadeiros amantes para provar a sua inocência. Põe então em prática um plano para desvendar o mistério.

Mas a aproximação de ambos pode deitar tudo a perder. 

O plano aproxima Charlotte de Piers, que prova ser um homem cheio de segredos, mas também de encantos, a que é difícil resistir. Charlotte vê-se, então, num impasse. Deverá ela arriscar tudo para provar a sua inocência? Ou render-se a um homem que se revela incapaz de amar?

Há algo de irresistível num homem de fato e com uma mente atrevida… mais ainda se for o teu professor.
Quando Caine West me conheceu, não foi um dos meus melhores momentos — eu tinha bebido demais, confundi-o com outra pessoa e ele devorava-me com os olhos, o suficiente para me tirar do sério.
Só depois, ao encontrá-lo na universidade, descobri: o sensual Caine West, com o seu sorrisinho presunçoso, viria a ser o meu novo professor. Melhor ainda: eu trabalharia para ele como sua assistente. Eu, Rachel, que o tratara como um imbecil e atacara os seus enormes… atributos.
Bela maneira de te apresentares ao teu prof!
Tentei desculpar-me, e ele fez questão de me relembrar da hierarquia da sala de aula. Desde então, tento ser profissional, mas o magnetismo dele é inegável. Com rosto (e corpo!) de deus grego e uma voz grave e aveludada, não me admira que as alunas suspirem à sua passagem. Só não contava ficar também eu hipnotizada pelo charme do meu professor… E pela forma como a camisa lhe assenta nos braços bem definidos ou como as suas mãos parecem saber sempre o que fazer…
Bolas, Rachel, no que é que te estás a meter?
Não me faltam ideias sobre como poderíamos passar algum tempo sozinhos na sala de aulas!

Para Toni, Evie é a coisa mais importante do mundo
Quando perdeu o marido na guerra, Toni tomou medidas para começar tudo de novo e dar à filha, Evie, uma vida melhor.
Mudou-se para uma cidade diferente, arranjou um novo emprego e mudou a filha para outra escola.
Mas há coisas más que não param de acontecer
O recomeço está a ser difícil. Evie não gosta da escola, os vizinhos têm antecedentes criminais e a nova chefe é terrível. Para conseguir lidar com tudo isto, Toni começa a abusar de sedativos.
Quando fecha os olhos, as horas desaparecem e o descanso torna-se possível. É quando algo terrível acontece.
E agora Evie desapareceu
Ninguém sabe onde Evie está e não há pistas, nem suspeitos. Toda a gente culpa Toni, que rapidamente é vista pela opinião pública como uma mãe irresponsável e toxicodependente. Mas ela tem a certeza de não ter feito nada de errado. Ou será que fez?

E se a tua vida não passasse de uma grande mentira?
Aquele parecia ser um dia normal, como tantos outros na vida da jovem Ella Black. Mas, subitamente, Ella é surpreendida no liceu pelos próprios pais. Sem aviso nem explicações, levam-na e os três partem de Londres para o Rio de Janeiro, numa viagem inesperada e misteriosa.
Confusa e sem respostas convincentes, Ella pergunta-se de que coisas terríveis estarão os pais a fugir. O que os terá levado a deixar tudo para trás?
Longe dos amigos e da vida que sempre conheceu, sente-  -se ainda mais perdida quando se depara com uma revelação impensável: Ella é adotada e os pais adotivos levaram-na para o Brasil para fugir da mãe biológica.
Desesperada com esta nova realidade e em busca de explicações, foge de casa, iniciando uma perigosa jornada pelas ruas e favelas da cidade.
Mas que outras revelações virão do seu passado? Estará Ella preparada para enfrentar a verdade?
Uma aventura de busca de identidade, passada num ambiente exótico e perigoso, com que o público jovem adulto facilmente se identificará.

Novidades

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Opinião "Deixa-me Odiar-te"

Entre o interesse e o desdém, há sempre algo que nos convém.
E o ódio, por mais oposto que possa ser do amor, deriva de sentimentos fortes. A questão agora é....quais?


Conhecemos Jennifer Percy, controlada e experimente advogada fiscal, num dos piores dias da sua vida profissional. Está mega atrasada para uma reunião com um cliente importantíssimo e a última coisa que quer é ter de se cruzar com o seu arqui-inimigo, o bonitinho e playboyzeco de meia tigela Lord Ian St John. Sim, nos dias que correm as famílias aristocratas continuam a povoar o mundo, em especial Londres mas Jenny não podia ser mais indiferente ao seu título, beleza ou presença. Na realidade ela só queria mesmo é que ele não...respirasse!
Nascida e criada numa família anti muita coisa, em especial carne e gente rica, Jenny tornou-se numa anomalia no seio dos Percy ao trabalhar para uma grande empresa que ajuda os ricos a gerir as suas propriedades e investimentos, ou seja, a ficarem mais ricos.
Tudo isso seriam pequenas pedras no sapato não fosse a velha animosidade criada entre Ian e Jenny desde os primeiros tempos de trabalho juntos vai já mais de sete anos. A razão da falha sísmica causada pela presença destes dois no mesmo espaço é algo que todos desconhecem...acho que até os próprios. 
Mas como o cliente tem sempre razão, a sua exigência é clara...Jennifer e Ian vão ter de trabalhar juntos para terminarem a tarefa em mãos. Chegou o tempo de resolver a questão que os afasta e estabelecer regras (e tréguas) para que estes dois casmurros se entendam pelo bem da empresa e das suas carreiras.


Mas quando um simples encontro profissional passa para o mundo como um romance que floresce entre dois colegas de trabalho, o quanto será que muda a vida de Jenny? 
E Ian, mesmo em vias de herdar um título, poderá ser aquilo que realmente gosta de ser ou terá de se reger pelas regras da família, assim como acontece com Jenny?
Quanto tempo irá durar o conflito uma vez que percebam que não sabem a razão porque mantém uma animosidade que é mais carregada de tensão sexual que de razões para desgostarem um do outro?

Um romance que traz os nossos lords dos romances de época para a Londres de hoje, com uma mulher independente, forte e trabalhadora ao seu lado e que lhe dá água pela barba.

E porque estes dois deram duplo sentido ao nome desta música, aqui vai...

Um romance leve, divertido e que por mais previsível que fosse o final, soube bem chegar até lá.

Boas leituras :D
Uma novidade